SUDÃO: Morre um prisioneiro com sinais de tortura

O governo deve providenciar uma investigação independente sobre a morte de Ahmed Suleiman Sulman.

 

A Amnesty International declarou que o governo do Sudão é responsável pela morte e maus-tratos de um preso que morreu de tuberculose sob custódia policial na semana passada.

  

Ahmed Suleiman Sulman morreu no dia 21 de outubro no hospital da polícia para onde foi transferido da prisão de Kober, em Jartum, dois dias. Seu corpo conservava os grilhões e havia sinais de tortura.

  

Ahmed Suleiman Sulman contraiu uma infecção pulmonar há bastante tempo, porém a diretoria da prisão não lhe deu acesso a um médico especializado apesar das insistentes petições de seu advogado.

  

Ahmed Suleiman Sulman era um dos 103 homens condenados à morte pelos tribunais antiterroristas especiais, estabelecidos após o ataque do Movimento Justiça e Igualdade, grupo armado de oposição, contra Omdurman, nas proximidades de Jartum, em 10 de maio de 2008.

  

“O governo deve providenciar uma investigação independente sobre a morte de Ahmed Suleiman Sulman. A tortura é um ato abominável. Os responsáveis pelos maus-tratos e morte de Ahmed Suleiman Sulman devem comparecer perante a justiça em julgamentos com as devidas garantias” declarou Tawanda Hondora, diretor adjunto do programa para a África da Amnesty International.

  

Centenas de pessoas continuam com paradeiro desconhecido após o ataque do Movimento Justiça e Igualdade contra Omdurman.

  

Ahmed Suleiman Sulman foi detido pelo Serviço de Inteligência e Segurança Nacional entre 12 e 13 de maio de 2008 e condenado à morte em agosto do mesmo ano, permanecendo na prisão de Kober durante todo esse tempo.

  

Segundo informações recebidas pela Amnesty International, Ahmed Suleiman Sulman tinha 30 anos de idade e estava gravemente traumatizado por causa da tortura que lhe foi infligida após sua detenção. Inúmeras fontes confirmaram à Amnesty International que ele estava mentalmente doente quando foi julgado.

  

A Amnesty International está muito preocupada com as condições em que vivem os presos de Kober. Vários informes atestam maus-tratos e condições higiênicas precárias.

  

“Preocupa-nos imensamente a situação dos reclusos na prisão de Kober. O governo do Sudão deve garantir que as famílias destes presos e os médicos tenham acesso imediato a eles” afirmou Tawanda Hondora.

   

/FIM

Amnesty International

Comunicado à imprensa

28 de outubro de 2009

Tradução livre